sábado, 27 de novembro de 2010
Rotineira
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Onde estão as minhas asas?
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Fernanda Young me entende!
Aos que não nos enxergam - Fernanda Young
Oi, eu estou bem aqui na sua frente, mas você insiste em não me ver. Tudo bem, opção sua, cada um enxerga o que quer. O problema é quando você, sem ter idéia de como sou, resolve dar a sua visão sobre mim. Talvez você não se enxergue também, antes de mais nada – e assim me tire por parecida contigo. Errando completamente. Para começar, eu faço questão de ver as pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença do mundo. Percebo que todos têm algo de especial, estando aí a graça. Percebo belezas que não são minhas, estando aí o prazer. Percebo inclusive você, parado bem na minha frente, desviando seu olhar para lá e para cá, nervoso com a minha presença, estando aí o ridículo.Veja bem, não há o que temer em mim. Não quero nada que seja seu. E não sou nada que você também não seja, pelo menos um pouquinho.
Você não precisa gostar de mim para me enxergar, mas precisa me enxergar para não gostar de mim. Ou gostar, e talvez seja exatamente isso que você tema. Embora isso não faça sentido, já que a vida é bela, justamente, quando estamos diante daquilo que gostamos, certo?Não vou dizer que não me irrita essa sua cegueira específica com relação a mim, pois faço de tudo para ser entendida. Por todos. Sempre esforço-me ao máximo para que isso ocorra, aliás; então, a sua total ignorância a meu respeito, após todo esse tempo, nós dois tão perto, mexe, sim, levemente, com a minha paciência. Se for essa a sua intenção, porém, mexer com a minha paciência, aviso que anda perdendo sua energia em besteira, pois um mosquito zumbindo em meu ouvido tem um efeito semelhante. E, se me dou ao trabalho de escrever esta carta para você, é porque sei que você também não será capaz de enxergar o que há nela.
Explicando melhor: preferiria que você me esquecesse, mas até para poder esquecer você vai ter que me enxergar. Enquanto não me olhar de frente, ao menos uma vez, ao menos por um segundo, vai continuar assim, para sempre, fugindo sistematicamente da minha imagem – um escravo de mim, em fuga constante, portanto. Pode abrir os olhos, vai ver que não sou um bicho-de-sete-cabeças. Sou bem diferente de você, como já disse, mas isso é ótimo. Sou melhor que você em algumas coisas, pior que você em outras – acontece. No que eu for pior, pode virar para outro lado; no que eu for melhor, cogite me admirar. “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz...”* Sempre quis cantar isso para alguém. “Olhos nos olhos, quero ver o que você diz...”* Pronto, um sonho realizado. Já estou lucrando com a nossa relação, só falta você. Basta ver o que eu posso lhe mostrar e enxergar o que eu posso ser para você.
O Forte de Copacabana
Primavera
Metamorfose de encantos que envolve poetas
Queria eu fazer parte desta primavera
Linda, alegre e viva, que aquece corações
Envolvendo-me de emoção;
Oh minha bela primavera
Gostaria que nunca fosse embora
Que colorisse sempre este mundo
E que sua rica beleza ordenasse minha vida;
Oh minha querida primavera
Que já é dona do meu corpo e alma
Faça com que sementes germinem,
Flores ganhem forças e gramas tenham um
verde mais intenso
Neste mundo que precisa de seus cuidados;
Chegue mais perto
Faça seu colorido revelar-se
As forças da natureza me deixam em êxtase
Êxtase inexplicável que faz minha alma
Necessitar de seu floral;
O tempo é agora, esqueça o que doeu
Um dia novo está surgindo
Enfim, este é o momento das flores.
(me afogo neste paraíso)
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Apaixona-se a sós, fica a dica.
Mistério
Eu nunca vou saber o que você realmente pensava ao me olhar. Tinham horas em que você me olhava como quem olha para o pôr-do-sol, admirando-o, mas não encomodado por estar distante, e se quer planejando uma tentativa de mudar isso. Outras horas me olhava como uma criança olha para o seu desenho recém criado, orgulhosa, sem nunca receber carinho suficiente ou estar satisfeita com o que tem. Já vi também aquele pequeno sorrisinho de canto que você dá, como contentamento, como alguém que sabe que deve ficar longe mas está pensando em formas de dizer isso... Mas tem horas, e nessas horas eu me confundo, em que você me olha e vem pra perto, me abraça, me pega pela nuca e me arrepia.Você demonstra carinho e atenção, mas a despedida é fria, e suas ações não tomam as proporções que eu gostaria. É só quando estamos ali, eu e você, que eu sei o que você quer. E agora, depois de tudo, te encarando e tendo que aceitar as condições que atitudes me levaram, ainda não sei o que você quer, o que você insiste em evitar e quem você é.
